A Grade Que Ela Arrancou
Patrícia havia saído para trabalhar naquela manhã sob uma chuva que a previsão do tempo havia classificado como moderada e que às nove horas já havia se revelado uma classificação otimista. A rua Bento Gonçalves havia ficado com água até o tornozelo em alguns pontos — não era incomum, era uma rua que tinha esse problema havia anos e que a prefeitura prometia resolver a cada eleição sem que a promessa avançasse além do discurso. Os moradores haviam aprendido a calcular as rotas alternativas nos dias de chuva forte. Patrícia estava com pressa. Tinha uma reunião às nove e meia e o guarda-chuva que carregava era o tipo que protegia até certo ponto e que depois desistia silenciosamente, deixando a pessoa molhada da cintura para baixo enquanto a parte de cima permanecia tecnicamente seca. Havia sido nesse estado — apressada, molhada, calculando o tempo até a reunião — que havia ouvido. Um som. Agudo. Pequeno. Vindo de baixo. Ela havia parado. Havia olhado ao redor. A rua estava ...